sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
flores malucas
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
desvendando a desventura
o céu estar sempre sobre nós,
a sós?
Aquela cara azul de artista
fitando nossas cabeças baixas
somos corpúsculos observados
por um cientista através da
câmara de nuvens.
o gótico céu derrama
um futuro que não quer-emos.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
osmose
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
01
o uno e o múltiplo
circum-referenciados
a sequência binária
tudo e/ou nada
o tempo é um número
de infinitos algarismos
de onde ele começa a crescer?
princípio, meio ou fim?
as flores, sem as pétalas, seriam
incontáveis
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
moça com unicórnio

os tons cinzentos do crepúsculo
passam e escondem as estrelas
nosso ninho é pequeno e sujeito
ao perigo do vazio que nos cerca
nós mesmos somos vazios
de lábios frios como mármore
nossa existência é pouca
nossos sonhos caem gota a gota
das pétalas mortas de uma absurda flor
o que digo não é triste nem alegre.
se a verdade existe, é como um livro
de um autor que quer enganar,
como os dos livros de Direito
e das grandes religiões.
nas caminhadas que fazíamos
não dizíamos palavras doces;
identificávamos na paisagem
coisas e padrões que nos
profetizavam felizes.
nada mudou no nosso silêncio.
estamos distantes e esquecidos
de como os pores-do-sol cinza
duravam muito muito tempo.
e de como era especial
ver quando a lua surgia
por trás de nosso ninho.
como que refletidos no universo
estamos preenchidos de estranheza.
o ritual do poente é insone;
não há glória em saber e morrer.
o não-ser se converte em horas
diante da TV.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
comicsoftporn
para lá das ilhas
sei que tu vives
é de onde os céus vermelhos
se aproximam.
o coração sofre
uma quebra de simetria
e o universo todo
acompanha.
o silêncio é um oceano
que sonha.
invado teus abismos
toda hora, sem saber,
com meus desejos.
queria beijar tuas duas
flores cor de rosa e de terra
e atracar teu porto escondido
com minha nau que tuas ondas
já umedecem.
no final o tempo não se opõe ao
nosso júbilo e cessa. não és mais
muralha, e nada nos circunda. só agora
os lábios emitem trinos de gaivota.
astrocidades
as estrelas têm sido bem atrozes comigo.
logo eu, que em última análise, sou só uma
fase, essência tangível da luz delas.
não são nossos astros os culpados,
mas nós mesmos.
tenho medo das cartas, bolas de cristal,
mãos, espelhos, não quero que leiam
as minhas entranhas.
toda noite constroem um novo terraço,
uma nova sacada.
nossas cabeças tocam o alto vazio.
nossos pés formigam com o abismo.
cromossomos brilhando escuro.
sugo um leite raro e rarefeito
que penetra minha poça rasa de sangue.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
PARNASO
E o miosótico translucente
Forjam-me no merídio crescente:
Negrura alba, víride e rútila te entregas.
Sempiterna porta hipotética
Que liga ao mercurial o sulfúrico
A ponte repristinada ao público
Que desce da plaga mimética.
Alquimia deveras de voláteis atanores
Irial música de um rórido ocaso
Quando meritarei os teus louvores?
Dizer do prófugo e fugaz engano
De viver entre pináculos e báratros
É fado do extremo estertor parnasiano!

