-Quem é o dono deste blog maluco?
-Ei, cara, entra aí e descobre.
-Pôxa, que falta de educação!
-"O caminho do excesso leva ao palácio da Sabedoria."
-Saquei. Até mais!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

flores malucas


Tardes de janeiro
Chuva e vento
A mente nada no imediato
Cada segundo resiste
A sua própria passagem
O centro do labirinto
insiste na ignorância
Faz frio e tua ausência
me aquece a imaginação

às vezes, quando sinto que tudo vai retornar...
ESTAS FLORES MALUCAS E SORRIDENTES APARECEM.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

desvendando a desventura

Não é uma extrema desventura
o céu estar sempre  sobre nós,
a sós?

Aquela cara azul de artista
fitando nossas cabeças baixas

somos corpúsculos observados
por um cientista através da 


câmara de nuvens.


o gótico céu derrama
um futuro que não quer-emos.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

osmose

Quando crianca eu tinha
um desses jardins osmóticos,
separados do mundo 
por uma frágil membrana

hoje, já adulto, sei que o que
percebemos, o objeto, 
guarda semelhança 
com o meu jardim.

nossa percepção das coisas,
o modo como percebemos,
se processa via membrana.

como eu disse, ela é frágil:
aqui, tem a espessura de um átomo,
ali, a de um universo- e é,
para nós, invisível, imprevisível.

funciona como um excêntrico, caprichoso,
seletivo espelho cujas razões 
não compreendo.

(eu diria que mesmo nossas noções
éticas tem mais a ver com a imperfeição
de nossas ligações com a osmose que com
conceitos bobos como Bem ou Mal)

estas imagens maniqueístas nascem dessas
cognições imperfeitas. 

Mas não adianta muito
"saber" disso. Temos que aprender
é a lidar com a dor que vem com a
"Sabedoria".


-Parti de minha infância em que era tonto e
feliz e agora chego à velhice, em que
sou sábio e, por isso, sofro.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

01

o uno e o múltiplo

circum-referenciados

a sequência binária

tudo e/ou nada

o tempo é um número

de infinitos algarismos

de onde ele começa a crescer?

princípio, meio ou fim?

as flores, sem as pétalas, seriam

incontáveis

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

moça com unicórnio


os tons cinzentos do crepúsculo

passam e escondem as estrelas

nosso ninho é pequeno e sujeito

ao perigo do vazio que nos cerca

nós mesmos somos vazios

de lábios frios como mármore

nossa existência é pouca

nossos sonhos caem gota a gota

das pétalas mortas de uma absurda flor

o que digo não é triste nem alegre.

se a verdade existe, é como um livro

de um autor que quer enganar,

como os dos livros de Direito

e das grandes religiões.

nas caminhadas que fazíamos

não dizíamos palavras doces;

identificávamos na paisagem

coisas e padrões que nos

profetizavam felizes.

nada mudou no nosso silêncio.

estamos distantes e esquecidos

de como os pores-do-sol cinza

duravam muito muito tempo.

e de como era especial

ver quando a lua surgia

por trás de nosso ninho.

como que refletidos no universo

estamos preenchidos de estranheza.

o ritual do poente é insone;

não há glória em saber e morrer.

o não-ser se converte em horas

diante da TV.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

comicsoftporn

para lá das ilhas

sei que tu vives

é de onde os céus vermelhos

se aproximam.

o coração sofre

uma quebra de simetria

e o universo todo

acompanha.

o silêncio é um oceano

que sonha.

invado teus abismos

toda hora, sem saber,

com meus desejos.

queria beijar tuas duas

flores cor de rosa e de terra

e atracar teu porto escondido

com minha nau que tuas ondas

já umedecem.

no final o tempo não se opõe ao

nosso júbilo e cessa. não és mais

muralha, e nada nos circunda. só agora

os lábios emitem trinos de gaivota.

astrocidades

as estrelas têm sido bem atrozes comigo.

logo eu, que em última análise, sou só uma

fase, essência tangível da luz delas.

não são nossos astros os culpados,

mas nós mesmos.

tenho medo das cartas, bolas de cristal,

mãos, espelhos, não quero que leiam

as minhas entranhas.

toda noite constroem um novo terraço,

uma nova sacada.

nossas cabeças tocam o alto vazio.

nossos pés formigam com o abismo.

cromossomos brilhando escuro.

sugo um leite raro e rarefeito

que penetra minha poça rasa de sangue.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PARNASO


Os festins pós-agônicos das trevas
E o miosótico translucente
Forjam-me no merídio crescente:
Negrura alba, víride e rútila te entregas.

Sempiterna porta hipotética
Que liga ao mercurial o sulfúrico
A ponte repristinada ao público
Que desce da plaga mimética.

Alquimia deveras de voláteis atanores
Irial música de um rórido ocaso
Quando meritarei os teus louvores?

Dizer do prófugo e fugaz engano
De viver entre pináculos e báratros
É fado do extremo estertor parnasiano!