-Quem é o dono deste blog maluco?
-Ei, cara, entra aí e descobre.
-Pôxa, que falta de educação!
-"O caminho do excesso leva ao palácio da Sabedoria."
-Saquei. Até mais!

domingo, 24 de abril de 2011

verdades da semana santa


sábado
à noite vejo no céu
um desmonte de estrelas,
um candelabro caído de
névoas multicores

não penso nas verdades
da semana santa,
e a brisa surfa os pingos de chuva.

hoje é domingo,
amanhece feio e frio

sei que tenho muitas virtudes
inúteis, nenhum vício.
tudo me faz parecer só,  triste e banal.


mas
esta cidade, com
sua falta de luz e água,
seu trânsito louco,
suas pessoas rudes e ignorantes
seus políticos pilantras
seus prédios caindo
sua existência plagiária da do Rio de Janeiro
seus intelectualóides oportunistas
“só tem tu, vai tu mesmo, meu filho”
suas drogas na porta dos colégios,
seus cães e gatos largados em bueiros para
morrer,
prefiro ser como sou a existir nela e com ela.

as estrelas saltitam lá no alto, 
nuvens são terços e rosários, moedinhas.
um sinal de dignidade, que eu vejo da sarjeta.
serena semana santa , senhora sem sabor.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

histórias


Silenciosas as letras repousam,
contam histórias que queremos saber,
fatos e fantasias pelo ar voam
pousando como aves no papel a tremer

Avanda, rainha chamada
Ael Qamar Ael Ahmar
ou seja, lua vermelha

Harry Truine, o mago
que não acreditava em magia
pois precisava de dinheiro

Emily LeSage a brava menina
que brincava com o gato Sirop
e a cachorra Phiphi

Capocchio, o velho alquimista
que subiu numa escada para o céu

Aquele marquês cujo nome não lembro
internado no hospício de Charenton...

o boneco Godenot, que era medroso,
e seu dono, Roderick Deny.


Ah, são todas histórias
que eu queria contar a você
velhas e doces memórias
Vivendo do Tempo à mercê.

mãe escarlate


ter o que não tenho
não ter o que tenho
é subir, descer
a mesma escada
é fingir e fugir
com lábios e mente

serena ansiedade
frio de queimadura
grudenta caridade
faísca lá na altura

providência, ruela do destino
amuleto estranho, cruz obsoleta
ferro pagão, virgem asceta
mãe escarlata do deus menino.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

two butterflies...


making LOVE.

Karma fan club


sou membro do fã-clube do Karma...
tenho todos os álbuns, vou a todos os shows
uso as camisetas com a letra K (em sânscrito).

estive na primeira e segunda guerras,
em Chernobyl e em Fukushima.

conheci espécies sem fim que os homens extinguiram
sorvi as dioxinas os chumbos as DMTs
fui a Jerusalém, Kandahar e Lhasa.

Visitei o Lado Obscuro da Lua com o Pink Floyd
(eles abriram o concerto chapados)

Mas o pior de tudo foi aquele artigo que escrevi para a
Rolling Stone, Celebrating 10,000 years of KARMA.

37


37 anos amanhã
ridículo
ridículo fazer 37 anos?
é.
acorde cedo
a noite foi só de temores
mas o dia será vazio
como uma bola de cristal
espelhada.
você não olha para fora
o trem das coisas o carrilhão da hora
o brilho da forma
são nada de mais: só memória.
os livros a tela do computador
os passos do teu pai
te encolhem mais e mais
neste número primo, 37.
3+7=10, 1+0=1.
Felix, estás passando da idade!
não sou eu, são meus genes
insensíveis, tudo, do nascimento
até a fuga da irmã maluquinha.
pulando gerações, descobrindo-se
sozinho, ósseo, gelado
mas
posso te ter onde eu quiser
como eu quiser
naquele colégio, naquela ilha,
nas catacumbas de Calisto e Domitila...
o amor não é nada sagrado
naquela cama de madrugada
sinos e pétalas vermelhas na água quente.
Nada 37, amigo, nada.

terça-feira, 19 de abril de 2011

fragmento de um prefácio imaginário


............uma biblioteca cheia de carrapatos carecas e albinos, falando um linguajar patusco e rude enquanto devoram um sem-fim  de gramáticas e vademecuns de língua portuguesa é o que me passa pela mente. Tenho horror a estes artrópodes arqueozóicos, impregnados de senso do dever e alter-egoísmo, que para nada servem, ou só servem para dilatar as fronteiras da filodoxia maligna e talar os campos onde nascem futuros bons escritores.

bocejo de gato


com um bocejo de gato começou
o dia, e seguiu sob o céu de gigantescas e
tumultuosas abóbadas azuis.
sem ostentação, foi embora o gato, mas
ficou o céu, desmesurado.
como eu gostaria de ter partido
com meu amigo felino!
mas as abóbadas não me deixam, globulares,
azuis e frias- eu sou um recém nascido.