-Quem é o dono deste blog maluco?
-Ei, cara, entra aí e descobre.
-Pôxa, que falta de educação!
-"O caminho do excesso leva ao palácio da Sabedoria."
-Saquei. Até mais!

sábado, 23 de julho de 2011

tower

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

os pés sobem a fria e verde escadaria
que serpeia pelo interior da torre
janelas e corrediças, tapetes e quadros
e te escondes por cantos e sombras

lá fora a tempestade atroa
o que vem com o sonho é misterioso
o medo de cair me alerta
subo e não quero que me vejas

luzes brancas flores coloridas
candelabros tristes, faces divertidas
para baixo o poço negro
para cima o teu quarto azul

nas paredes mensagens secretas
em línguas diversas
nos degraus poeira e névoa
e pelo ar voa o cantochão.

ouves-me e viras para olhar
mas escondo-me e vejo teu fino rosto
sussurras um trino de pássaro
abres tua porta, ruge o mármore.

deixas-me entrar na tua câmara...
só um espelho e uma pequena cama:
mas no fundo o pesado pêndulo balança
teus olhos, pura desesperança.

despes teu manto vermelho
e revelas tua pura glória
ergo a espada e destruo com o relógio:
cessa a tempestade e a música.

também nu, eu bem firme te abraço
sem tempo entre nós, nem espaço
nos unimos facilmente
mas súbito o raio desce do universo

soçobra a torre, enquanto amamos.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

brincadeira


sou eu
o mais antigo fogo

o primeiro a entrar no jogo

diante da tua compreensão

mundo

sou palavra na fogueira

por meio de analogias simples
desfiz-me,

pois desejei queimar.

não me limito à chama

reduzo a vela a um estado cognoscitivo

aparento-me às coisas

imito o ser indecisivo

contradito desmim.


terça-feira, 19 de julho de 2011

dream

 
Dream, witty & slim,
Shaper of forms & beings
No-one & no-thing,
would you mind
bringing my love
back to me?

that life of mine,
spirit of wine
or absinthe fairy?

(I know what says
that dark pearly glance
of his eyes, that silence
of no-man, no- god,
unseen:

-NO.)

why canst thou, Dream,
bring my love
from thy misty shore?

-Not My Duty, You See?

Anon, messire.
so send me to that
island’s 
hellish strand
with no man, harbor,
or vessel,
& have me ended.

-Fare Thou Well.


sábado, 16 de julho de 2011

Meine Seele ist alle...



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a alma, se existir,
deve ser boa, até bela,
talvez.
mas a nossa idéia da alma,
como toda outra ideação das coisas,
é terrível:
incompleta, inconsistente
volátil, tem tudo em comum
com os sonhos- que sempre acabam
e se  perdem.
alma, te sonhei de novo esta noite:
foste ao meu lugar de trabalho
abriste a porta, perguntaste por alguém
conversamos...és em tudo tão semelhante
a mim, mas também és minha cônjuge alquímica.
carreguei-te no colo, pois não queria perder-te
e procuramos pelos imensos corredores
de repartição pública a pessoa com quem devias falar.
apresentei-te aos meus amigos.
senti os teus cabelos e teu cheiro.
escadas, salas, guichês, nunca encontramos
quem tu buscavas.
saímos de lá prontos para ir para
a minha casa fazer a nossa coniunctionis ...
mas já pesavas demais e eu não
podia mais te carregar.
era o fim do sonho em que eu dizia
“moro entre duas ruas...”
mas tudo já estava nebuloso,
vaporoso, diáfano, sumiste de minhas mãos
e acordei.
o teu rosto e corpo são inexprimíveis, inauditos,
os espelhos são falhos, não sei.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011

necas de pitibiribas



sou insuperável pressuposto
desprestigiado existir
tentativa desvencilhada  do devir

posso tudo na descrença
desinteressada
quando planejo não existe
providência
a realidade cai, bêbada.

quero amar o impossível
desalojar a verdade
pela moderna lei sou
executado a priori
meu espólio
vendido a granel.

não me restam nem dúvidas
nas veias do meu discurso:
fluem a serena dor
e a ardente alegria
da interletra
do internúmero
suprimindo-se
extraditando-se.

por mais patente que seja
meu ateísmo, queimo-me
das fagulhas do crer
por que assim faz toda a gente.

desacordado conservo-me
vigilante, num estado
de graça malcontente

vivo em inconveniência
discuto-me enquanto vivência

 ....

(transcendência? são histórias para boi-dormência) 

puella


tempo dos castelos de sonhar
meus brinquedos pelo ar
enganando o que fui, o que sou e o que resta.

sabes que quero teus segredos
teus recifes de enredos
mas não tanto quanto o corpo teu em festa.

por que não moras perto de mim
bem agora, longe que estou do fim
a girar planetas e carrosséis,

soldados e cavaleiros andantes
magos e bruxos velhos como dantes
belas princesas, reis e menestréis?

à hora que o sol bate nos palácios de Espanha
e nos teatros gregos sacodem as teias de aranha
ardo de pensar em te ter, colombina.

danças no ritmo de primevos mistérios
descobres tua nudez, ris de olhos sérios...
eu sei que és, numa só, deusa e menina.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

saio


biscoito velho
café frio

não fumo

o mundo é cheio de pares
e ímpares escondidos.
para achá-los,
a palma da mão
não me serve,
é
lisa e desértica.

as estrelas são mentirosas,
são números primos,
mafiosos.

as cartas misturam
nessa ação tudo se perde
a ordem conspícua
incrimina o caos

o vinho não presta
verdades abominam
o odre e a garrafa.

adivinhar eu olho
pela janela cada pessoa
sacudo juntas minhas que
empobrecem pelo tempo
saio e participo eu
deste novamente mundo,
anacolútico 0.


dilúvio nostálgico


a ponte sobre
o quieto oceano
que liga a grande abadia
ao velho colégio...
gosto de passar a noite ali,
contando estrelas,
o coração vazio.

lenta e morna, a água
cobre aos poucos
o frio continente.

os homens cantam no bar,
as gaivotas dormem no rochedo;
o anjo de mármore da praça
parece ter algo a dizer.

daqui a pouco a maré
forte virá e porá fim ao sonho
com um súbito dilúvio.
a alta onda pesada se aproxima,
roçando as nuvens.

às vezes, quase já desperto, te vejo
acenar do portão de ferro por onde
entras para estudar.

a lua sem rosto há muito virou cinzas...
        

domingo, 10 de julho de 2011

balanço


brincando no balanço de manhã
toda a vida se repete
sai o sol a lua retorna
a árvore grande verde cresce

quando tudo era jogo de criança
o sentido se perdia no vaivém
e nenhuma importância eu dava...
hoje, dele preciso e não o alcanço.

eu girava a cabeça e durava a festa...
tão próximos os frutos pendiam,
era só esticar os braços, tocá-los, e caíam
hoje tudo é difícil, muda, e nada resta.

os meus dias de jardim se foram
tudo restringe-se a um eclipse:
o meu paraíso infantil que divertia,
não amanheceu mais como eu queria.

sábado, 9 de julho de 2011

lots of money, that's what I want...

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ALGUÉM QUEBROU O ESPELHO DA NOITE
E O DIA VAZOU LENTAMENTE  lá de dentro
NINGUÉM VIU PASSAR O SOL
ESTA GEMA DOURADA
PERDIDOS NO OFÍCIO DO DEUS ÚNICO:
O DINHEIRO,
CHAMADO PLATAS, DENARO, MONEY, ARGENT
O-KANE, GELD.
NINGUÉM PRECISA DE RAZÕES PARA ADORÁ-LO
A LUTA POR SOBREVIVÊNCIA É O BASTANTE
PENSAR E SENTIR É DIFÍCIL, DISSERAM OS ANCIÕES
NÃO SABEMOS NADA DE NÓS MESMOS
NEM SOBRE O QUE ESTÁ LÁ FORA-
ENTÃO AMAMOS A JAULA CONCEITUAL QUE NOS PRENDE
CRIAMOS LEIS QUE NÃO PODEMOS CUMPRIR
POIS ESTÃO ALÉM DE NOSSA CAPACIDADE
E NO FIM TUDO RESUME-SE A MOEDAS, CÉDULAS, CHEQUES, CARTÕES,
CHIPS, TOKENS......BLAH BLAH BLAH
SOMOS A BOLHA BIOLÓGICA DO SUBPRIME.
A ÚNICA ESPÉCIE DESINTERESSANTE.
FRATRICIDAS TREINADOS
SUICIDAS POR PURA OPÇÃO.
nossos filhos pequenos terão cara de código de barras!
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a bíblia o corão  o tripitaka etc não são livros  religiosos,
são registros  contábeis, você abre e toca a música 

 'destroy everything you love... today...
  destroy me this way"

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 não parecem  duplas hélices de DNA?
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