-Quem é o dono deste blog maluco?
-Ei, cara, entra aí e descobre.
-Pôxa, que falta de educação!
-"O caminho do excesso leva ao palácio da Sabedoria."
-Saquei. Até mais!

domingo, 20 de março de 2011

super lua


quando chegas, à noite, eu sei que
a imensa lua jaz esquecida no céu,
um reflexo incompreendido,
uma absurda cicatriz
ou decalque do infinito.

não me perguntas nada,
ligas a TV e assistes desinteressada.

eu durmo embebido em memórias
de uma vida anterior,

de um deserto
sombrio,

de um universo
gélido e homogêneo como uma
nuvem branca.

(mas não sonho)

quando acordo, fico esperando que
venhas deitar comigo.

mas sei que estás atrás da porta
observando...

respiras forte: todo Início é complicado;
recrias a lua, em tua imagem e semelhança.
trocas as cores de tudo,
e chamas, enfim, o tudo de nada.

só tu podes fazer isso...

e agora, finalmente, eu sonho.



quinta-feira, 10 de março de 2011

sutil


a noite do coração chega
e as estrelas morrem

caem os sinos da esplanada do céu
começa o rigoroso inferno da alma

(alma é o que não existe ainda, é
a forma esperando o dedo no gatilho)

por enquanto oferecemos só o corpo
deitado no leito sem amor
que gera anjos e assassinos.

não espero por coisas sagradas,
nem parto para o país de sonhos:

pois teu véu é muito sutil,
irmã maluquinha, e me dá medo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

eu atômico

 





















os átomos desconstruídos pela 

explosão... 
a consciência desafia estes pequenos
retratos indivisíveis do nada,

retidos nas paredes, nas nuvens,
nos livros. 

imprevisíveis estados isolados
inviáveis portais de criação
patentes precursores da destruição

homem-cinza eliminado
de sua prima-matéria 

a compreensão do episódio
funde o relógio, esgota as verdades.
a simetria lamenta.

miragens de um novo universo
nadam no mar megatônico
as alianças se quebram
4 forças bêbadas depois da festa.

terça-feira, 8 de março de 2011

para quarta-feira


terça-feira
o espaço e o tempo congelam
mas a mente avança
em sua própria existência
como um feto apressado para nascer.

além do portal radiante
estão o sangue quente e os sons ameaçadores
da vida.
o renascimento se vê através das janelas
da mansão desabitada
que dão para o jardim primaveril.
um inconcebível pássaro pipila...
compreendo sua mensagem, mas é
uma antiga fórmula usada pelos alquimistas.
o céu está alegre, e a grama recende
os planetas jogam amarelinha.
de mim, amanhã, só sobrarão cinzas.
libertadas, de modo simbólico,
da fascinação do contínuo.

carnaval


choro por uma máscara
elas deixam a vida tão interessante...
cheguei atrasado à distribuição delas
e agora terei que ser sempre eu mesmo,
e não viver. que lástima!

espelho, espelho, não fabricas para mim
uma máscara?
não me devolves meus antigos rostos?
não me preparas um novo destino?
o carnaval começa e logo acaba...
quero conhecer aquela moça do baile.
tão bela e doce, ela me observa enquanto
sobe as escadas.
a música é alta, o que ela está dizendo?
ah, um convite para ir ao quarto. apresso-me.
-entre!
-que vamos fazer?
(a luz é vermelha.há somente uma cama, as
janelas estão fechadas. sentamos)
-você é doido? por que veio aqui sem
máscara?
-eu...
-se tivesse uma, faríamos amor.
-e agora?
-agora? agora, eu preciso fazer isso :
-não, não faça isso!
-eu preciso.
-não, não tire a máscara...oh, oh, oh.......

acordo em casa na manhã seguinte. a criada 

está espanando as cortinas.

-patrão, há um convite na mesinha de 

cabeceira.

e o sonho recomeça.

quinta-feira, 3 de março de 2011

hotel


sonho com o hotel em que não estivemos,
naquela manhã do dia depois do falso golpe
de estado. 

vestias negro e teu perfume gelava o ar,
que estava quente das explosões e cargas
de baionetas inexistentes.

revolução uma ova, tudo continua o mesmo:

o hotel, o péssimo serviço de quarto, os
aquecedores e chuveiros quebrados, os
lençóis, as volúpicas cortinas diáfanas, os
sinos mortos da catedral destruída, as
bandeiras pisadas pelos paisanos,
as crianças do gueto chorando a perda dos
pais e avós.
se isso não vai mudar nunca, dou-me o
direito de te seguir, Liberdade.

quando toco
a tua mão, porém, o sonho acaba.