-Quem é o dono deste blog maluco?
-Ei, cara, entra aí e descobre.
-Pôxa, que falta de educação!
-"O caminho do excesso leva ao palácio da Sabedoria."
-Saquei. Até mais!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

batom rouge


o deus
cara de relógio
da Eternidade
não tem boa pinta:
chega bêbado nas festas
faz bullying no colégio
trata as garotas como lixo
ele é ubíquo, não temos como
escapar dele e sua cara
analógico-digital.

transforma o ano novo
na mesmice,
dá sonolência no emprego
tortura o pobre, o artista,
perpetua o corrupto,
extingue espécies,
preserva-nos e, depois,
nos desaparece no cosmos.
ainda assim seu trote não falha:
é garboso e mostra os dentes
pontiagudos.
quero encher ele de socos.
quando lembro de você, amor,
penso neste monstro...
pois não posso mais te beijar,
teus lábios viraram pó, areia
de um deserto de batom rouge.

o meu horror é que não somos melhores que ele.
que digam os pandas, orangotangos e tigres da Tasmânia.



domingo, 17 de abril de 2011

su


quando eu era novo(26 anos) eu tinha uma não- declarada paixão por uma moça chamada Su(ely). Mas ela era(é, acho) uma princesa, e eu era(sou, ainda) apenas um nerd. Eis um poema que eu fiz para ela, e que ela nunca leu(lerá?)

o nome da musa

homem, assuma o nome de sua musa,
a musa do sublimado encontro
submarino.
sua celeste censura
ouça, súbito, como um
susto, suspiro, açúcar entre
os sulcos dos dentes
a música circumpolar
pode ser suave,
superpersuasiva.
homem, submeta-se,
súdito da sucinta estrela.
seja um sushi fã, sujeito,
sui generis, supere-se,
cometa suicídio!
em suma, sufoque a morte,
insufle as asas azuis,
fuja do usual...
Su, ouve esta súplica,
não seja uma musa
resumida!

Assuma o nome de Su, a musa!

(escrito no dia 17/03/2001, às 12:08 h)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

estrelas verdes


lembro-me que, quando garoto, uma estrela vinha e me acordava traiçoeiramente, com suas gotas de eco lilás.E eu sentava no terraço para ouvir a estrela contar as últimas notícias do Reino.
o Reino tinha sido invadido! não havia mais crianças nos caramanchões ou nas piscinas de água azul... e o grande Rei estudava um método de reverter a situação.Pensei: tomara que ele não chame os seus filósofos da Academia Unarius!(pois até os pequenos sabiam que eles eram um charlatães...!)
mas foi o que aconteceu. E eu disse a mim mesmo que era melhor se render de vez que esperar a ajuda daqueles neoplatônicos verborréicos(eu fui muito bem educado, leitor, na arte das palavras que não dizem coisa alguma- espero que aprecie), com suas longas barbas enrolando-se nos pés que nunca deixaram o terreno das coisas vãs.Tenho certeza de que a estrela achava isto também.
é fácil conversar com uma estrela,mas te dou um conselho, leitor: elas são quentes e algumas queimam só de olhar. Mas, de resto, são carinhosas e gostam de crianças.
*** * **** * ***** ********* ** ******
[aqui em cima estão algumas delas, verdes como as de omicron pisces]

quarta-feira, 13 de abril de 2011

fugidos

fugimos do mundo das fadas,
mas agora queremos voltar...
temos saudades do nosso lar
e das crianças. 
aqui o tempo passa
e é absurdo vivermos assim;
a fazenda em que moramos
fica muito longe,
lá na grande floresta.

(estes personagens estão morando
no meu jardim. Pessoas de bom
coração, contribuam com
1 Real ou 1 Vale Transporte...
alimentos  imperecíveis
também servem.
eles poderiam estar roubando,
mas estão pedindo, e a cada dia que passa
sua situação piora.
Ajudem-me a mandá-los 
para casa. não é balela!)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

holiday


queria ter razões
para não ser pessimista...

mas nosso feriado
só dura até amanhã.

é o que o relógio me diz,
este pequeno e sádico deus
primitivo

vamos nos olhar nos olhos
esquecer do universo
viver em pura fixação
de um momento feliz

face a face, talvez,
alguma lei seja esquecida
algo escorregue pelas engrenagens
e nos conceda demorados prazeres
e visões- e nos arrebate para sempre
deste álbum de figurinhas sem graça
que é o mundo.

já não serei velho, e não
envelhecerás.
ficaremos apenas estrelas
de cinema
rindo das ameaças amargas
das juras descumpridas
dos presságios das cartomantes

só queria ter razões para não ser,
desviando a atenção do Nada,
retardando o avanço da Hora...

mas nosso feriado, amor,
é uma delicada questão filosófica,
não é como a beleza que cai com a chuva,
ou com as flores de cerejeira.




domingo, 10 de abril de 2011

sonnet 0


compus este belo soneto
pros fãs do obscuro e do obsoleto
que por ignóbeis ranhuras
observam formas impuras.

o céu não é avenida:
é só esquinas e becos
de onde o albatroz sem vida
retorna com tristes ecos.

a tinta da pena regela
a mente morfiniza
meu diamante esfacela:

por esta antiga porta
só entram e saem desnudos
vazios, que o Vazio comporta.

piscas


o orvalho te desenha
arabescos no rosto.
trovões amedrontam
as flores, e os pássaros
encolhem as asas cansadas.
ah, mornos sonhos da manhã,
meus pés não querem mais
estas trilhas,essas horas,
que não me trazem
de lugar algum.

piscas e não sei se és fêmea ou
relâmpago.
como vou te beijar assim
tão furiosa?
teus lábios ainda brilham,
como velhas luas novas.

não sou forte


quando as brincadeiras da tarde terminam
e se abrem os livros da noite
eu te procuro em vão...
pois já estás nas bordas do sonho,
ali onde ninguém chega sem perder
a razão prudente ou a ignorância de ser.
o som da floresta
a porta aberta do chalé
são tuas iscas pra mim, eu sei.
mas tudo é tão doce
e a lua me atrai
por métodos mágicos...
eu não sou forte,
mas nem Merlim era!
por que eu não deveria, então,
entrar, sentar e te esperar,
que vens la´ do fim do desconhecido?



sexta-feira, 8 de abril de 2011

oniro


que quer dizer,num sonho, um jardim?
refúgio, fuga, santuário?
te escondes neste pequeno mundo
que não acesso mas sei como é,
pois já estive em lugares assim.
mas os meus microcosmos
não são muito comuns:
flores falam e nuvens cantam,
há escritos na grama e números em tudo.
brotam livros e posso esquecer
de por a máscara.
mas. quando o inverno chega e o gelo
cobre o jardim, você morre,
Perséfone.
sei que em seis meses retornas,
mas mesmo assim, sofro.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

gangorra


não confio num deus
que não sente dor, não se cansa
e não tem culpa ou remorso...
e que é viciado em jogos.

se você brinca com uma criança, terá
de ser sacrificado, é a lei.

submetidos à ironia da luz e da treva
prosseguimos defendendo nossa causa suicida.

a consciência tem sede de conhecimento
e já secamos quase todos os rios,
em predadora angústia
em alienante exacerbação
do ego
em vertiginosa negação da
nossa interdependência.

o que conquistamos esquecemos,
o que sonhamos passa,
somos só o que temos,
 e o que temos acabou,
restando só o centro imaterial insensível
acausal desconectado vazio, sem círculo.
-ei, sai daí, é a minha vez na gangorra!, disse
o recém-chegado.